Policiais militares, policiais civis e bombeiros decidiram, em
assembleia geral, decretar greve a partir desta sexta-feira (10). Entre
as principais reivindicações, estão o estabelecimento de um piso
salarial de R$ 3,5 mil e a libertação do cabo bombeiro Benevenuto
Dalciolo, preso ontem (8) à noite, após retornar de Salvador, onde
acompanhava a greve dos policiais baianos.
A concentração na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores,
começou por volta das 17h e a decisão pela greve foi tomada às 23h21,
quando os cerca de 1,5 mil presentes, segundo organizadores, aprovaram a
paralisação por aclamação. A recomendação das lideranças foi para que
os policiais e bombeiros sigam para suas unidades, mas se recusem a
sair.
O secretário da Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros,
coronel Sérgio Simões, anunciou na parte da tarde que o Exército
disponibilizou 14 mil soldados para patrulhar o estado. Também são
esperados 300 homens da Força Nacional de Segurança, que trabalharão nos
serviços prestados pelos bombeiros.
Com a proximidade do carnaval, a preocupação é garantir segurança aos
milhares de turistas que chegam ao Rio para a festa. Segundo o
comandante dos bombeiros, o carnaval será realizado com a segurança
feita pelas forças federais e de efetivos que não aderiram à greve.
"A partir de agora, a segurança é de responsabilidade da Guarda
Nacional ou do Exército", disse um bombeiro ao microfone, após perguntar
quem estava a favor da paralisação e todos os presentes levantarem as
mãos e gritarem "sim".
Após a confirmação da greve, o bombeiro deu instruções aos policiais e
bombeiros presentes na Cinelândia. "Todos devem seguir direto e estar
aquartelados em seus respectivos batalhões", disse. "Atenção, é
importante, quem está de folga aquartela, de férias aquartela, quem está
de licença aquartela. Todos juntos, não tem distinção, se puderem levar
as esposas, levem junto. É importante", completou.
O decreto da greve foi antecipado, já que segundo as lideranças do
grupo, se as reivindicações não fossem aceitas até a 0h desta
sexta-feira (10), as categorias iniciariam a paralisação. De acordo com
os líderes do movimento, no entanto, a decisão pela greve já estava
acertada. Eles explicam que a antecipação do anúncio da paralisação
ocorreu porque os manifestantes estavam cansados. A assembleia teve
início por volta das 18h.
Os policiais militares e os bombeiros informaram que ficarão
aquartelados em seus batalhões, enquanto os policiais civis disseram que
apenas 30% do efetivo ficará à disposição para os casos de emergência,
como ocorrências em flagrante e homicídios.
Exército enviará 14 mil homensMais cedo, o
secretário estadual de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros
do Rio, coronel Sérgio Simões, afirmou que o Exército disponibilizaria
cerca de 14 mil homens e a Força Nacional atuaria com cerca de 300
homens para a segurança no estado, caso a greve fosse decretada.
Segundo ele, o plano prevê que os 14 mil homens do Exército façam o
policiamento no estado, enquanto os 300 homens da Força Nacional
auxiliem no trabalho dos bombeiros, em caso de paralisação dos
servidores de segurança do estado.
A juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros da Auditoria da
Justiça Militar do Rio decretou, na noite desta quinta-feira (9), a
prisão preventiva do cabo Benevenuto Daciolo, do Corpo de Bombeiros. Ele
é acusado de praticar os crimes de incitamento e aliciamento a motim.
As informações foram confirmadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de
Janeiro (TJ-RJ).
A liberdade do bombeiro era uma das reivindicações de policiais
civis, militares, bombeiros e agentes penitenciários. Além disso, as
categorias reivindicam piso salarial de R$ 3.500, com R$ 350 de vale
tranporte e R$ 350 de tíquete-refeição.
O cabo Benevenuto Daciolo está preso administrativamente, em Bangu,
devido aos crimes de incitamento à greve e aliciamento a motim, segundo o
secretário de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões. Escutas mostram
conversa de Daciolo com a deputada Janira Rocha (PSOL) sobre estratégias
de greve.
Segundo os manifestantes, mais de 50% das três categorias vão aderir à
greve. Nascimento afirmou que, no caso do Corpo de Bombeiros, a adesão
chegará a 70%.
Em relação à segurança da população, Nascimento garante que os
serviços de segurança da sociedade que tenham "caso de morte" serão
prestados. "Em casos como grandes incêndios, colisões, atropelamentos,
acidentes graves, os serviços serão prestados", garantiu.
Cabral critica 'balbúrdia e agitação'O
governador do Rio, Sérgio Cabral, defendeu a atual política de segurança
estadual. “O governo, nesses anos todos, fez um esforço priorizando a
segurança pública. Hoje, a segurança pública tem um orçamento que chega a
níveis de itens essenciais, como a saúde, apesar de não ser
obrigatório. O orçamento da Polícia Militar subiu de R$ 900 milhões para
R$ 2 bilhões”, afirmou durante o lançamento do Programa Renda Melhor e
Renda Melhor Jovem, em Niterói, no fim desta manhã.
Cabral afirmou que existe uma “articulação nacional para tentar criar
um clima de insegurança” e criticou aqueles a quem chamou de “ditos
líderes” do movimento por melhores salários para bombeiros e policiais.